Exemplo dum homem que fazia más confissões e, depois, quando quis confessar-se devidamente, não pôde
Diz, pois, Santo Afonso Maria de Ligório que nos anais dos Padres Capuchinhos, se conta dum que era tido por pessoa de virtude, mas que se confessava mal. Como caísse gravemente doente, foi avisado que se confessasse, e fez chamar certo padre ao qual disse logo que chegou: – Meu padre, dizei que me confessei, mas eu não quero confessar-me.
– E porque? replicou-lhe admirado o padre.
– Porque estou condenado, pois não tendo me confessado nunca inteiramente de meus pecados, Deus em castigo me priva agora de poder confessar-me bem.
Dito isto, começou a dar terríveis uivos e a despedaçar a língua, dizendo:
– Maldita língua que não quiseste confessar os pecados quando podias.
E assim, fazendo em pedaços a língua e uivando horrivelmente, entregou a alma ao demônio; seu cadáver ficou negro como um carvão e ouviu-se um barulho espantoso, seguido dum cheiro insuportável.

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