Lutero e suas blasfemias
(Tirado do Livro "O Diabo, Lutero e o Protestantismo, do "Padre Júlio Maria de Lombaerde)
1.Tentações Impuras
É aí, sobretudo, na ociosidade de seu desterro, que Lutero começa a entregar-se desabridamente às paixões vergonhosas da luxúria, como o atesta a sua correspondência íntima. Em 1522 ele escreveu a seu amigo Spalatino a carta mais falhofeira e vergonhosa que se pode imaginar onde se lê: "Sou um famoso namorador... Admiro-me que, escrevendo tantas vezes sobre o matrimônio, et misceor feminis, não tenha ainda virado mulher e tenha casado com uma delas”. “Entretanto, se queres o meu exemplo, tem o seguinte: TIVE JÁ TRÊS ESPOSAS AO MESMO TEMPO, e as amava tão ardentemente que perdi duas delas, que foram procurar outros maridos..”. “Quanto a ti, és um namorador mole não tendo sequer a coragem de ser marido de uma só" (De Wette II. 646). Pergunto a um homem de bom senso; é esta a linguagem de um reformador ou não é, antes, a correspondência de um vulgar boêmio, de um viúvo alegre?
2.Lutero beberrão
O padre Leonel Franca fez esta judiciosa observação: (“A Igreja, a Reforma e a civilização” L. II. C. I). “Raras vezes a vida licenciosa vai desacompanhada dos excessos intemperantes da mesa. Em Lutero a febre de concupiscência carnal era estimulada pela embriaguez e pela crápula. No beber, diz ele, não quero que os outros entrem em competição comigo”. Escreverá mais tarde à sua Catarina: “Vou comendo como um boêmio e bebendo como um alemão, louvado seja Deus!...” Em 1534 escreveu: “Ontem, aqui, bebi mal e depois fui obrigado a cantar; bebi mal, e sinto-o muito. Como quisera ter bebido bem, ao pensar que bom vinho e que boa cerveja tenho em casa, e mais uma bela mulher” (De Wette IV. 553).
Escreveu ainda: “Aqui passo todo o dia no ócio e na devassidão” (Ego otiosus hic et crapulosus sedeo tota die) (De Wette II. 6).
Na noite em que o reformador, com companhia de outros, chegou a Erfurt (19 de out. 1522) “... não se fez senão beber e gritar, como de costume”, escreve Melanchton presente à cena “Os excessos do copo chegaram a fazer-lhe mal à saúde”. O motivo destas libações copiosas e estonteantes é confessado pelo próprio Lutero, numa carta dirigida a seu amigo Jerônimo Weller: "Quando o diabo te vexar com pensamento", diz ele, "palestra com os amigos, bebe mais largamente, joga, brinca ou ocupa-te em alguma coisa. De quando em quando se deve beber com maior abundância, jogar, divertir-se, e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo, para não lhe darmos azo de pertubar-nos a consciência com ninharias. Quando te disser o diabo: Não bebas, responde-lhe: Por isso mesmo que me proíbes, é que hei de beber, e em nome Jesus Cristo beberei mais copiosamente...Por que pensar que eu bebo assim com mais largueza, cavaqueio com mais liberdade, banqueteio-me com mais freqüência, senão para vexar e ridicularizar o demônio que me quer vexar e ridicularizar?...
3-Lutero sobre as autoridades
Já conhecemos fartamente suas teorias sobre o poder religioso e civil.
Citemos apenas uns curtos trechos de seus escritos a este respeito. Eis palavras suas: “Seria melhor que todos os Bispos fossem mortos, todas as fundações e mosteiros demolidos radicalmente, de preferência à morte de um só crente.. A coisa mais conveniente que lhes podia suceder seria uma poderosa revolução que os varresse da face da terra. E seria somente objeto de alegria, um tal acontecimento” (Weimar ed. Vol.X 2 p.3). E o revoltoso em linguagem cada vez mais furiosa continua: “Todos aqueles que ajudarem e arriscarem a sua vida, bens e honra, para destruir os bispados e extirpar o regime dos bispos, serão os filhos querido de Deus e verdadeiros cristãos, enquanto os homens que os suportam serão os próprios escravos do demônio” (Weimar p.140) Não podiam os camponeses interpretar tais palavras senão como uma declaração de GUERRA SANTA e, assim, de fato, as entenderam. Palavras de paciência eram ditas por Lutero, somente, para serem retratadas no dia seguinte com uma tempestade de invectivas...Do mesmo modo as autoridades civis eram denunciadas como „PIORES O QUE LADRÕES E VELHACOS” .“Um saco de vermes” – era como intitulava o imperador, enquanto declarava abolida toda a autoridade contrária ao seu Evangelho, oposta às suas heréticas idéias
4-A Morte de Lutero
Nada mais difícil que descrever a morte do reformador.
Correm tantas legendas e histórias acerca desta fato; muitos escritores trataram do assunto, de modo que o historiador imparcial não sabe em quem acreditar. Paira um mistério sobre este falecimento. A razão desta balbúrdia é a seguinte: No tempo de Lutero, como ainda hoje, já estava arraigada a idéia de que um perverso deve necessariamente ter uma morte agitada, dolorosa, cruel; e o povo não admite possa uma pessoa reprovada morrer quieta e sossegada em seu leito de dores.
“Tal vida, tal morte”
É certo; é, porém, bom notar-se; tal morte se refere à sorte da alma e não ao gênero de morte do corpo. É possível um criminoso, às vezes, ter uma morte suave, consolada, e perder a sua alma; como um predestinado, um santo, poder ter um trespasse doloroso, agoniado, e sua alma voar direito para o céu. Não se pode negar tenha sido Lutero um homem perverso, corrupto, vingativo, revoltoso, entregue aos mais baixos instintos; e, segundo a opinião citada, estava-lhe reservada a morte equivalente. Os protestantes acusam os católicos de terem cercado os últimos instantes de seu reformador com pormenores ainda não bastante provados, exagerando talvez a verdade. É possível. Não se pode atestar tenha sido aumentadas as proporções do caso, como não se tem certeza do contrário. De outro lado, os protestantes, tanto os que assistiram à morte de seu chefe, como os que surgiram mais tarde, tinham todas as razões para apresentá-la como desenlace de um predestinado. Os católicos tendiam a um rigor excessivo, e os protestantes, a uma indulgência exagerada. Para evitar discussões sem provas, cada um adotou, pois, a opinião mais coerente com as próprias idéias. Desejo ser imparcial; por isso, sem adotar definitivamente esta ou aquela narração a respeito, citarei com brevidade os diversos modos de pensar.
A primeira opinião, a mais seguida entre católicos e protestantes, é a seguinte: Tendo Lutero resolvido voltar para Wittemberg, embora estivesse já alquebrado, doente e cansado, convidou os amigos para um banquete. Pela tarde do dia 17 o chefe manifestara ligeira melhora, recobrando passageiramente o seu velho bom humor e espírito zombeteiro.
Comeram, beberam, cantaram; e, para agradar aos convidados, Lutero não deixou de beber bastante do bom vinho de Eisleben. Parecendo, entre os vapores do álcool, esquecer-se do seu estado doentio.
Alta noite os comensais se retiraram, ficando, somente Lutero, Justo Jonas, dono da casa, seu criado particular e um filho.
Conduzido ao seu quarto, Lutero sentou-se num sofá, mandando ao criado retirar-se, por não carecer mais dos seus serviços.
Que aconteceu nesta noite tremenda?
Só Deus o sabe.
De manhã, demorando-se Lutero mais que de costume em seu quarto, o criado foi bater-lhe à porta, mas não obteve resposta, nem notou o mínimo ruído. Conhecendo o servo o estado de seu mestre e receando qualquer catástrofe, chamou Justo Jonas e o filho de Lutero, e abriram a porta, não fechado por dentro. E uma cena mais horrenda e tétrica se ofereceu então aos seus olhos.
No meio do quarto, entre o móvel e o leito, o corpo de Lutero estava estendido no chão.... o rosto lívido, azulado, de olhar e boca desmedidamente abertos, os braços estendidos, o abdome intumescido, saindo-lhe as entranhas em redor do corpo. Era um cadáver. A mão justiceira de Deus havia prostrado aquele que durante tantos anos o blasfemara, na pessoa de seu representante visível na terra. Lutero já estava na eternidade: excomungado, herege, apóstata, sacrílego, levando as mãos tintas de sangue e tendo a alma envolta em rancores ao Papa e à Igreja de Cristo.
Triste... Tristíssima bagagem para comparecer perante o Tribunal de Deus!
Justo Jonas e o criado, à vista do cadáver, já em começo de decomposição, com as entranhas derramadas pelo chão, recuaram de espanto, enquanto Hans Lutero soltou um grito estridente, caindo de joelhos perto de seu pai, para examinar se realmente estava morto. Não havia dúvida; tinham diante de si um corpo frio e rígido; levantaram-no e deitaram-no sobre o sofá, indo um deles chamar o farmacêutico Landau para verificar a morte. Lutero falecera, vitimado por um ataque de apoplexia fulminante, proveniente talvez da indigestão dos alimentos e bebidas ingeridos no derradeiro banquete. (...)Dizem os escritores da época que, ao ser ele para lá transportado, o mau cheiro do cadáver se tornou tão penetrante e insuportável que, diversas vezes, os carregadores foram coagidos e deixá-lo por algum tempo, só, no meio dos campos, para poderem respirar um pouco de ar puro. Contam ainda ter um bando de corvos, aliciados pela putrefação, seguido o cortejo lúgubre, como se fossem demônio montando guarda de honra a um de seus chefes.


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